Durante os
testes, o cavaleiro ordena que Tomazoni catapulte o norte. É por lá que os venezianos
nos atacam, é lá que deveis treinar a sua mira.
Tomazoni adota outras
perspectivas. Outros ângulos. Sempre adotou. Suas regras se opõem às regras do
castelo.
Trinta graus
direita. Nove horas. Dezessete graus. Doze horas vá lá, por que não, às vezes?
Gira para um lado. Gira para outro. Coça o queixo. Sua criatividade é sua arma
mais segura.
Vira a catapulta
sentido contrário. Seis horas. E arremessa. A pedra voa por sobre a muralha sul
do castelo. E mais outra. E mais outra. O cavaleiro grita, esbraveja. Ao norte,
homem, ao norte! Crateras são abertas nos campos do sul.
Meses depois um
espião inimigo cavalga na madrugada por aquelas bandas. O cavalo cai num buraco,
ele quebra a clavícula. É preso e mandado de volta como contra-espião (o
pagamento seria em anchovas mensais).
Inverter a
perspectiva, Tomazoni diz, é deixar de ver com os olhos do outro.
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